Thursday, March 22, 2007

Bridget Jones é o c#r$%*&o!

Meu nome é Silvia Maria!

Essa semana tive que explicar para duas senhoras com 70 anos passados a razão pela qual eu não tenho um namorado. Uma delas era a minha avó, que sempre que me vê arrumada, diz que só preciso perder uns 3 quilinhos pra ficar "perfeita", me dá um tupperware com comida e diz que me falta apenas um namorado. A cena se repete desde os meus 15, 16 anos e ao invés de perder os 3 quilos, ganhei uns 9. Continuei levando os petiscos pra casa e nada disso a incomodou. Com exceção do namorado, que continuo não arranjando.

A querida vovozinha eu consigo dobrar em 9, mas sua irmã parecia mesmo implacável com as perguntas. Queria saber se era eu que dispensava os moços por coisa pouca, se eu não era exigente demais (vocês sabem, quem exige demais acaba sempre sozinha), se eu já tinha um namorado e não queria dizer, se eu já tinha tido um amor fracassado e ficado traumatizada ou se simplesmente ainda não tinha aparecido. “Porque com 22 anos, Silvinha, eu já estava casada”.

Tirando a parte do cara que já existe (ele não existe, juro!), todas as justificativas se misturam e me deixam com a sensação de que eu não preciso de um namorado. Não agora, aqui sentada escrevendo e ouvindo Hermes e Renato na MTV. Tem dias em que eu acordo ou vou dormir pensando como seria, só que nunca aconteceu. É como um homem andar de ônibus todo dia pensando no ar condicionado do Audi que ele não tem e sequer dirigiu.

Ele fica lá, olhando pela janela do circular, vislumbrando o volante, os bancos de couro, a patroa mais magra de saia curta no banco passageiro e os faróis de milha ligados. Um deleite para a imaginação do nosso amigo. Se contarem pra ele do valor do seguro, da manutenção, dos riscos de seqüestro, do gasto com gasolina, IPVA e a dona patroa enciumada com o monte de vagabunda dando em cima dele por causa do carro de bacana, talvez ele repensasse. Talvez porque ele não tem o Audi e não vai se preocupar com IPVA de carro que não existe. Ele continua andando de ônibus porque é o que temos por hoje. Economiza o troquinho do feijão e, quem sabe um dia, consegue um consórcio do Audi.

Já me contaram das maravilhas e dos dissabores de namorar, acreditem. E eu os considerei profundamente, quase anotei os conselhos no meu bloquinho do Snoopy. Ponderei tanto que não sei se não prefiro ficar como estou. Ei, isso não é papo de recalcada que encalhou feito jubarte em Copacabana e prefere dizer que está fechada pra balanço. Não é isso. Encalhei. Sou eu, jubarte em Copacabana, tentem visualizar. Mas sem despeito.

Eu não tenho medo de ficar sozinha, nunca tive. No máximo, medo de escuro que eu tenho até hoje, mas o interruptor fica a centímetros do meu dedo; o quarto da minha mãe, a poucos passos de distância, em último caso. Eu tenho medo é de perder a lente de contato no meio da Marginal, de o meu elástico arrebentar na hora da academia, de ficar sem meus amigos, de acabar a luz na hora dos Simpsons, de não conhecer New York nunca na vida e de tartaruga (sério!).

Eu estou bem sozinha e não tento enganar a mim mesma e nem a ninguém. Pode ser que eu me torne uma pessoa melhor com um namorado ou coisa que o valha. Só que ele não apareceu ainda, por deus! E eu, o que faço com o fato de que ele não aparece? Visto-me como se fosse pra noite do Oscar mesmo indo pra padaria? “Oito franceses, bem branquinhos, por favor!” e plinc, uma piscadela pro balconista? Aceito convites para churrascos no interior, raves PVT, feijoadas com pagode, micaretas, reuniões de condomínio, jogos de tranca e bailes da terceira idade? “Tai, eu fiz tudo pra você gostar de mim...”.


CONTINUA...

2 comments:

Anonymous said...

Como se a maior parte do mundo não fosse solteira, né?

''Encalhei. Sou eu, jubarte em Copacabana, tentem visualizar. Mas sem despeito.''

Sil, só você!!

Anonymous said...

Eu já dei a dica do sutiã: você que não acatou, vai continuar encalhada.